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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Perspectiva de gênero de “To The Beautiful You”

Descrição para cegos: menina se olha no espelho e prepara-se pra cortar sozinha seu cabelo.


To The Beautiful You é uma série Sul-Coreana que traz em seu enredo uma jovem coreana que cresceu nos EUA e que volta para seu país de origem, disfarçada de garoto para estudar numa escola que pode realizar seu sonho de ser uma grande atleta. De acordo com a série, essa instituição é a única do país na especialidade de formar personalidades no esporte mundial, apenas do gênero masculino.
A reflexão feita através da leitura dessa obra evidencia a posição e o papel dos gêneros Homem e Mulher diante da sociedade, em que a mulher deve ocupar cargos discretos e que sejam mais domésticos possíveis, enquanto os homens podem e devem trabalhar em áreas de prestígio. Apesar das diferenças representadas na trama, na leitura que considera as peculiaridades da cultura asiática, é perceptível uma ampla influência imperialista no comportamento social em ambos os gêneros.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Identidade de Gênero

Arthur, 13 anos
Foto: Rafa Borges

Há momentos em que a criança se recusa a ser associado com a identidade sexual (menino ou menina), que corresponde ao seu sexo anatômico. Esta recusa não é um crescimento transitório e persistente. São as chamadas crianças transgênero. O papel dos pais é fundamental para o bem-estar das crianças transgênero, pois, à medida que vão crescendo, crianças transgêneros experienciam rejeição e muitas vezes são intimidadas, o que promove uma estigmatização e isolamento social. A reportagem divulgada pelo iGay conta como é essa experiência familiar. (Jéssika Queiroz)


Por Iran Giusti

Arthur, transexual de 13 anos: “Acham que só quero chamar atenção”

Mesmo enfrentando preconceito e incompreensão fora de casa, o adolescente teve apoio total da família para assumir gênero oposto ao de nascimento
Artur (Centro) e a família: Mãe Juliana da Silva Fernandes, os irmãos gêmeos, Enzo e Júlio e o pai Fabricio Alves.
Foto: Rafa Borges 

"Mãe, tirei zero na prova de História porque escrevi o meu nome social e não o de registro. A professora disse que eu tinha rasurado". Em seu primeiro contato com a reportagem do iGay, o menino Arthur Fernandes Alves já chega contando o problema pelo qual passou na escola. A situação exemplifica o tipo de percalço enfrentado por um menino transexual de 13 anos de idade, que vive em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Apesar de incomodar, um problema como esse não abate Arthur. Com seus cabelos azuis e camisa preta de banda, ele é um adolescente como muitos outros, cheio de paixões e aspirações. Além dos HQs de mangás orientais, o jovem se diverte ouvindo bandas como Green Day e MyChemical Romance.
Cabeleireiro e tatuador são as profissões que Arthur pensa seguir quando for adulto. Cursando o oitavo ano do ensino fundamental, ele aprendeu inglês e japonês estudando por conta própria em casa.
Nascido menina, Arthur se percebeu diferente já aos quatro anos de idade. "Sempre gostei de andar com os meninos, o melhor presente que ganhei na minha vida foi uma pista de carrinhos", revela o adolescente, que teve a sorte de vir ao mundo num ambiente livre de preconceitos. A mãe, Juliana da Silva Fernandes, é uma bióloga de 36 anos. Psicólogo de formação, o pai, Fabrício Alves, tem 37 e trabalha como bancário.


"Nós víamos que ele não gostava de boneca, de coisas cor-de-rosa. Aí eu dizia para quem quisesse dar presente que desse roupa para ele”, conta Juliana. No entanto, o apoio dos pais não evitou que Arthur enfrentasse o preconceito quando tinha sete anos. Na época, ele cortou os cabelos bem curtos e passou a sofrer agressões repetidas de uma colega de escola. "Ela me batia e falava que menina tinha que gostar de rosa e ter cabelo comprido", relata o adolescente, sem disfarçar a tristeza.
Juliana lembra que este momento marcou o início de uma fase de isolamento do filho. "A partir daí, ele foi ficando introspectivo. Com doze anos, já não falava com ninguém. Começou a se cortar nos braços e falava que tinha um grande segredo", narra a mãe, que decidiu então, juntamente com o marido, procurar ajuda de um psicólogo.
CONVERSA DEFINITIVA

Mesmo com acompanhamento psicológico, Arthur não conseguiu se abrir e revelar o que o afligia. Juliana viu que era o caso de ter uma conversa definitiva com o filho. "Foi mais de uma hora conversando. Quando ele me falou que o segredo era a identidade de gênero, fiquei aliviada. Eu tinha medo que fosse algo ruim, que ele tivesse sido abusado sexualmente", explica ela, que àquela altura já tinha procurado a ajuda de três profissionais diferentes. “Nenhum deles explicava nada, falavam que era fruto da separação temporária que eu e o pai do Arthur tivemos. Mas a gente sabia que não era.”
Artur nasceu mulher, mas se percebeu homem aos 4 anos de idade
Foto: Rafa Borges
O alívio proporcionado pela conversa foi tamanho que o adolescente saiu do quarto sem o nome feminino com o qual foi batizado. Inspirado no vocalista do My Chemical Romance, Gerard Arthur Way, ele escolheu ser chamado de Arthur.
Assumindo a identidade masculina, Arthur mudou o guarda-roupa, adotou camisetas de banda como seu uniforme e passou a usar uma faixa elástica para esconder os seios. "Minhas amigas usam dois sutiãs para ter peitos e eu um colete e duas camisetas para não ter", ironiza o adolescente, que mudou também de nome nas redes sociais.
“Foi tudo muito tranquilo, os irmãos dele me corrigiam no começo porque eu continuava chamando pelo nome antigo sem querer”, admite Juliana, que divide a compreensão serena da transexualidade de Arthur com o marido. “Ele é meu filho e vai ser sempre amado, não tem porque não ser assim”, afirma Fabrício.
Minhas amigas usam dois sutiãs para ter peitos e eu um colete e duas camisetas para não ter (Arthur Fernandes)
O pai se incomoda apenas com a incompreensão de muitas pessoas com assunto. “Queremos valer o que é de direito do Arthur. Alguns funcionários e professores se recusam a chamar o Arthur pelo nome, mesmo com a lei que os obriga, então queremos tentar fazer a alteração do nome nos documentos”, argumenta Fabrício, referindo-se à lei estadual paulista 10.948/01, que pune atos de homofobia e obriga estabelecimentos e instituições a respeitar o nome social dos transexuais.
FALTA INFORMAÇÃO E PREPARO

Fabricio, Juliana e Arthur percebem a falta de conhecimento como fator desencadeador do preconceito. “Só encontramos informações muito fragmentadas em blogs, sites e poucos livros. E o que há disponível não fala sobre os transgêneros nesta idade”, reclama a mãe.
O pai vai além e aponta o despreparo do Sistema Único de Saúde para lidar com a questão. “O SUS em tese cobre a cirurgia de adequação de gênero, mas os postos de saúde não têm ideia do que se trata. Os programas de atendimento ficam concentrados em São Paulo.”
Artur recebendo o carinho do pai.
Foto: Rafa Borges
“Eu sei que é difícil para todos os transexuais. Mas para mim, às vezes, parece pior. Porque ninguém me leva a sério, acham que só quero chamar atenção”, desabafa Arthur, que sente o preconceito em atos prosaicos como a ida ao banheiro da escola. O adolescente usa o toalete dos professores, por não se sentir confortável em usar o dos meninos.
“Apesar de mais aberta ao debate, a escola tem algumas limitações. A diretora é ótima, muitos professores respeitam. Mas tivemos que abrir algumas concessões, como a questão do banheiro, mas vamos resolver”, a Juliana. Arthur faz questão de ressaltar, no entanto, que recebe muito apoio dos colegas.
“Sempre que um professor me trata de maneira errada, meus amigos corrigem. Meu namorado também não tem problemas com a questão. Sei que tenho muita sorte pela minha família que me aceita”, constata Arthur, exibindo uma maturidade pouco comum a meninos de sua idade.
Com o Arthur, a gente sabe que tem um preconceito duplo, porque além de transexual, ele é gay (Juliana da Silva Fernandes)
O namorado de Arthur tem o carinho de toda a família. “Ele é um amor, não tenho do que reclamar. Infelizmente, temos tido alguns problemas com a família dele, mas nem todo mundo lida bem. Com o Arthur, a gente sabe que tem um preconceito duplo, porque além de transexual, ele é gay”, se resigna a mãe.
Vem da bisavó do jovem de cabelos azuis o argumento para desfazer a incompreensão com o diferente. “Minha avó de 85 anos, que é bisa do Arthur, disse uma única coisa sobre o assunto: ‘Menino ou menina, o amor é o mesmo’”, relata Juliana. Quem passa algum tempo com a família Fernandes Alves não tem dúvida disso.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O que são pessoas cis e cissexismo?



Vivemos em uma sociedade ciscêntrica, cisnormativa. Isso ocorre porque as pessoas cis detém o poder de decisão sobre as pessoas não-cis dentro de vários âmbitos: Médico, Político, Jurídico, Financeiro etc. Reportagem divulgada pelo site (http://ensaiosdegenero.wordpress.com) no dia 17 de setembro de 2012 (Rodrigo Andrade). 

Por Hailey Kaas
O que são pessoas cis e cissexismo?

Mas quem são as pessoas cis? Utilizei a seguinte definição a priori:
“Uma pessoa cis é uma pessoa na qual o sexo designado ao nascer + sentimento interno/subjetivo de sexo + gênero designado ao nascer + sentimento interno/subjetivo de gênero, estão ‘alinhados’ ou ‘deste mesmo lado’ – o prefixo cis em latim significa “deste lado” (e não do outro), uma pessoa cis pode ser tanto cissexual e cisgênera mas nem sempre, porém em geral ambos.”
Uma pessoa cis é aquela que politicamente mantém um status de privilégio em detrimentos das pessoas trans*, dentro da cisnorma. Ou seja, ela é politicamente vista como “alinhada” dentro de seu corpo e de seu gênero.
Descrição para cegos: no lado esquerdo há uma mulher, no ato de tirar a camisa, com os seios para fora. E do lado direito há uma homem de costas, sem camisa.
Quero evitar dicotomizar aqui sexo e gênero, pois muito embora essas categorias sejam divisíveis para problematização, a ideia que a ciência construiu sobre o sexo é pré-discursiva, ou seja, é como se fosse compulsoriamente uma verdade.
Voltando na definição cis. Eu já havia retificado minha afirmação prévia em outra postagem, na qual elimino a discussão etimológica sobre o prefixo cis, porque não é cabível em uma discussão que se quer puramente política. Não queremos criar uma dicotomia entre pessoas cis e pessoas trans* e sim evidenciar o caráter ilusório da naturalidade da categoria cis.
O alinhamento cis envolve um sentimento interno de congruência entre seu corpo (morfologia) e seu gênero, dentro de uma lógica onde o conjunto de performances é percebido como coerente. Em suma, é a pessoa que foi designada “homem” ou “mulher”, se sente bem com isso e é percebida e tratada socialmente (medicamente, juridicamente, politicamente) como tal.

Mas afinal o que é cissexismo então?
Primeiramente é a desconsideração da existência das pessoas trans* na sociedade. O apagamento de pessoas trans* politicamente por meio da negação das necessidades específicas dessas pessoas. É a proibição de acesso aos banheiros públicos, a exigência de um laudo médico para as pessoas trans* existirem, ou seja, o gênero das pessoas trans* necessita legitimação médica para existir. É a negação de status jurídico impossibilitando a existência civil-social em documentos oficiais.
Porém esses exemplos são mais óbvios, e poderíamos chamá-los simplesmente de transfobia. O cissexismo é mais sutil. Ocorre quando usamos o termo biológico para designar pessoas cis, quando usamos certos discursos e certas expressões que excluem ou invalidam direta ou indiretamente as identidades das pessoas trans*.
Cissexismo será, então, qualquer discriminação baseada em uma ou mais das noções descritas abaixo:
1) Só existe um tipo de morfologia (corpo) e este deve estar alinhado com o gênero designado ao nascer;
2) Só existem dois gêneros (binários: masculino/feminino) e que uma pessoa deve estar alinhada dentro de um desses dois;
3) Uma pessoa trans* tem uma vivência menos ‘verdadeira’, e/ou nunca será ‘verdadeira’ se não fizer modificações em seu corpo para ficar mais próxima de um dos gênero binários;
4) Uma pessoa precisa estar dentro de um desses gêneros binários, porque senão ela não será feliz ou não será aceita;
5) As pessoas que não se encaixam no binário são doentes mentais, tem patologia e precisam se tratar de algum modo para se curar e que essa cura ou será o alinhamento ou o processo transsexualizador;
6) O corpo da pessoa trans* é “bizarro” e ela não pode viver no “entre” (na fronteira);
7) Achar que uma pessoa ‘chama atenção’, ‘dá pinta’, é ‘escandalosa’ e não age como o esperado do alinhamento cis, e por isso ela irá prejudicar a causa LGBT; (Atenção porque esse discurso está bastante difundido no meio LGBT!)
8) Uso de termos ofensivos, mas que muitas pessoas (atenção, LGBT!) não acham ofensivos, ou evocar arbitrariamente (sem a permissão da pessoa) o nome designado ao nascer, a experiência “pregressa” (falar em “antes” e “depois” é cissexista também); termos como ‘transvestir’, ’transformista’, ‘traveco’, ‘transsex’, ‘t-gata’ (sim, ‘t-gata’ é um termo fetichizador cissexista e sexista também, objetificador: atenção pessoas que se identificam como “t-lovers”); uso de termos como crossdress, drag, drag queen/king, quando você não sabe qual é a identidade da pessoa;
9) Designar arbitrariamente a identidade da pessoa. Conhecer alguém e prontamente decidir qual é a ID da pessoa baseada na imagem – visual e/ou performática – (da sua posição cis) que você tem dela. Alinhar pronomes e identidades também é cissexista;
10) Na simples discriminação pela pessoa não ser cis, por ter qualquer comportamento diferente do esperado pelo alinhamento cis. Nesse ponto o sexismo também tem papel importante. Cissexismo e sexismo são faces da mesma moeda;

Em suma, por que nomear as pessoas cis?
Como eu disse mais acima, ser cis é uma condição principalmente política (mas não só). A pessoa que é percebida como cis e mantém status cis em documentos oficiais não é passível de análise patologizante e nem precisa ter seu gênero legitimado. Ora homens são homens, mulheres são mulheres e trans* são trans* correto?
Não. Historicamente, a ciência criou as identidades trans* (e por isso já nasceram marginalizadas), mas não criou nenhum termo para as identidades “naturais”. É por isso que a adoção do termo cis denuncia esse status natural. Denotar cis é o mesmo processo político de nomear trans*: nomeia uma experiência e possibilita sua análise critica. Nas produções acadêmicas contemporâneas, tanto das ciências médicas quanto das sociais, a identidade trans* é colocada sempre sob análise, tornando-se compulsoriamente objeto de critica.
A naturalização das identidades cis produz privilégios. Esses privilégios são diretamente percebidos na medida em que, como dito, pessoas cis não precisam ter sua identidade legitimada pela ciência; tampouco estão classificadas como doentes mentais em documentos médicos; não sofrem privações jurídicas de existência em documentos oficiais; não sofrem violência transfóbica e cissexista; não precisam dar explicações sobre suas identidades; não são vistas como pervertidas e nem tem sua sexualidade confundida com seu gênero.
Ao nomearmos @s “normais” possibilitamos o mesmo, e colocamos a categoria cis sob análise, problematizando-a. Buscamos o efeito político de elevar o status de pessoas cis ao mesmo das pessoas trans*: se pessoas trans* são anormais e doentes mentais, pessoas cis também o são, suas identidades também não são “reais”; se pessoas cis são normais e suas identidades naturais, pessoas trans* também são normais e suas identidades tão reais quanto.

terça-feira, 13 de maio de 2014

A letra de Caetano

Descrição para cegos: imagem mostra as sombras de três pessoas, uma ao lado da outra e desfocadas.


Reconvexoé o título de composição feita por Caetano Veloso, famosa na voz de sua irmã, Maria Bethânia, escrita especialmente para ela interpretar. A música é um grito de construção identitária e percorre o mundo da Bahia, fazendo referências também à cultura internacional.

A palavra Reconvexo, segundo nossa interpretação, é um tipo de “posição” na qual nem é convexo, nem côncavo, mas sim uma mistura de ambos. A letra, então, suscita um conjunto de reflexões sobre a construção de gênero. Ao mesmo tempo que se pode ser “a chuva que lança areia do Saara”, também é possível ser uma “sereia que dança, a destemida Iara” ou ainda, “o cheiro dos livros desesperados”. Ou seja, o ser humano como tal é constituído de várias identidades que não são especificamente rígidas, mas sim, fluidas.

Um fato interessante na letra é a junção das palavras Gita e Gogóia. A primeira é título da composição de Raul Seixas em parceria com Paulo Coelho, que dá nome ao álbum de maior sucesso, de 1974, da carreira de Raul Seixas, e também desenha uma consciência sobre o eu-lírico da canção. Ela faz uma referência ao Bhagavad-Gitā, um dos textos sagrados do Hinduísmo. Já a segunda faz parte de música (Fruta Gogóia) gravada por Gal Costa no LP Fa-Tal, de 1971, pinçada do folclore baiano. As duas músicas também mostram construções de identidades. Ambas, incluindo a de Caetano, começam com um pronome e um verbo que os filósofos desde a antiguidade vêm (re)pensando sobre: eu sou.

Luís Marques
Confira a letra da canção:

Reconvexo
Caetano Veloso

Eu sou a chuva que lança a areia do Saara
Sobre os automóveis de Roma
Eu sou a sereia que dança, a destemida Iara
Água e folha da Amazônia
Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra
Você não me pega, você nem chega a me ver
Meu som te cega, careta, quem é você?
Que não sentiu o suingue de Henri Salvador
Que não seguiu o Olodum balançando o Pelô
E que não riu com a risada de Andy Warhol
Que não, que não, e nem disse que não
Eu sou o preto norte-americano forte
Com um brinco de ouro na orelha
Eu sou a flor da primeira música a mais velha
Mais nova espada e seu corte
Eu sou o cheiro dos livros desesperados, sou Gitá gogoya
Seu olho me olha, mas não me pode alcançar
Não tenho escolha, careta, vou descartar
Quem não rezou a novena de Dona Canô
Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor
Quem não amou a elegância sutil de Bobô
Quem não é recôncavo e nem pode ser reconvexo

Vídeos:
https://www.youtube.com/watch?v=qXd04dhUJBM [Reconvexo – Maria Bethânia. Turnê Amor Festa e Devoção]
https://www.youtube.com/watch?v=AVciSGQ6e9I [Fruta Gogóia – Gal Costa. Turnê Hoje]

https://www.youtube.com/watch?v=84zGRJbtMDM [Gita – Maria Bethânia. Turnê Tempo Tempo Tempo Tempo]