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quinta-feira, 9 de maio de 2019

OI, MENINAS, NO POST DE HOJE...

Descrição para cegos: uma mulher utilizando um computador enquanto segura um bebê apoiado na mesa.


Aqueles momentos de tédio que passamos o feed do facebook distribuindo likes, amei
e grr (esse último são para as besteiras que o presidente diz), de repente me deparei com um
vídeo da Blogueirinha e sua filhinha, Xay, com a seguinte legenda:

“Não julgo essa maternidade real! Dias de fúria de toda mãe!”

Estava em um grupo de mães e, pelos comentários, elas não sabiam quem as
personagens do post são. Logo, começaram as críticas e comparações com outras influencers
bem famosas e seus posts sobre a maternidade, principalmente com a clássica de que ser mãe
é uma benção e reclamar é um pecado.

Mães perfeitas, filhos perfeitos, fraldas e lookinhos do dia patrocinados, a vida que
todos os comentários do post desejavam.

200 e tantos comentários depois, vi um outro post no mesmo grupo:

“Meninas, não me julguem, mas hoje só queria conseguir rir de qualquer coisa. Meus filhos e
meu marido estão me deixando louca.”

quarta-feira, 8 de maio de 2019

MARIE CLAIRE, MINHA AMIGA DE INFÂNCIA

Descrição para cegos: capa da revista Marie Claire de 1997 com uma modelo usando maiô amarelo modelo asa delta


Lembro de ir no gabinete- é assim que chamamos salão de cabeleireiro, no Ceará, o
meu estado natal- acompanhar minha mãe em suas visitar pra pintar e escovar seus curtos
cabelos – o molde Fátima Bernardes estava em alta nos anos 90.

Criança inquieta eu corria de lá para cá naquela salinha apertada, um puxadinho da
sala da dona de casa, que intercalava cabelos com o jantar do marido, eis que encontrava as
revistas pra folhear, nenhuma em quadrinhos, pois, lá não haviam crianças além de mim. E
assim peguei minha primeira Marie Claire em 1996: uma mulher com sobrancelhas finas e boca
vermelha estava na capa, não lembro quem, mas não esqueço dessas duas características.
Via as roupas, as modelos, os casais, via tudo, pois abria as páginas com liberdade e
foi assim por vários finais de semana até o dia que minha mãe ouviu “O QUE É SEXO?” saindo
por minha boca e atravessando todos os ouvidos daquela pequena sala.

Fuxico, murmúrio, “isso não é coisa pra criança” todas falaram pra mim, “você não
vem mais comigo” disse minha mãe. E, assim, não tive mais minha leitura dos finais de
semana.

Hoje, 22 anos depois, a necessidade de buscar leitura sobre o machismo nas revistas
femininas, levou a mini-menina a lembrar da sua velha amiga de infância ao se deparar com
edições que não buscavam responder e, sim, em questionar o mundo ao seu redor, elas não
calam, ao contrário, nos fazem gritar por todas nós.Reencontrei minha velha amiga e ela fez
com que eu mesma me reencontrasse.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Traços femininos ou feministas?


Descrição para cegos: menina segura cartaz escrito "Quando crescer quero ser o que eu quiser".

Carolina é uma menina bonita, sem muita frescura, até vaidosa. Ela tem onze anos, mas com postura de adulta. A maturidade de Carolina não se dá no comportamento de uma precoce adolescente, e sim na firmeza que expõe seus posicionamentos. Ela sabe quem é, em qual contexto está inserida e o que não quer ser.
Comparada a muita criança de sua escola, percebe-se que Carolina tem uma família aparentemente estruturada, sem grandes danos, apenas com os mesmos valores estereotipados. Por que afirmo isso? Porque Carolina não se espelha em seus pais.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Uso sexista da língua: não dê valor aos valores machistas

Descrição para cegos: ilustração do blog "Penso, logo feministo".

Tenho andado pensando sobre a minha infância. Pensei sobre a época da escola. Pensei, pensei. Com o passar dos anos, vi que gênero é uma construção social, eu posso desconstruir e construir novos olhares, a partir das diversas identidades de cada pessoa, você aí também pode. Afinal, temos que ter liberdade para ser o que somos. E assim, sou.
Ah, sei lá, deve ter sido na 2º série do ensino fundamental, na escola da fardinha verde - assim como era conhecida - de onde tenho a primeira lembrança de ser incluída no “ele”. Desde criança sempre me questionei: por que chamar, por exemplo, em uma sala de aula, os meninos e meninas de “eles”. “Eles estão fazendo a lição”; “Eles estarão no recreio daqui a meia hora”; “Eles já estão liberados”. Mas, professora, eu sou menina. Mas também podia me chamar de criança.
Na minha sala só tinha um, dois, três, quatro meninos, não importa o número, o fato é que a maioria sempre foi feminina. Mesmo assim, meninos e meninas eram colocados em uma categoria. Qual foi a escolhida: homem, homem. Apenas um em meio a todas já basta. Sim, isso mesmo. Engajadas(os) com a desconstrução do gênero e da sociedade machista utilizam várias formas: agricultorxs, agricultor@s, agricultoras e agricultores.
Talvez eu tivesse que me refazer em meio ao espaço escolar, naqueles anos que eu tinha oito anos. Só mais uma para quem atua na educação de ensino básico: existem questões de gênero na escola e ali há crianças em idade de formação, essa irá refletir nos seus princípios quando se tornarem adultas. Somos múltiplas identidades.
Qualquer coisa que não dê valor aos valores machistas!
Liberte sua mente. Essa não é uma questão inútil! (Carolina Ferreira)

domingo, 17 de agosto de 2014

Rapaz, eu nem sei por que acordei desatinado

Descrição para cegos: uma ilustração do autor do texto.
Viver é um acaso de fronteiras inacabadas. Eu pensava assim até me deparar com a figura de uma pedra roxa, meio esverdeada com um quê de megalomania de insetos mortos. De qualquer maneira, isso não importa, apenas um sonho noturno de mais uma madrugada sem saber se meu pênis um dia nascerá vagina-flor.
Gostaria de uma argamassa que ignorasse toda essa burocracia de psicólogo, fila de espera no SUS, brigas com meus familiares e reverberações íntimas entre mim e eu. Pegasse a argamassa, colocasse entre as minhas pernas e, com um pouco de jeito, moldasse numa vagina-flor. Prefiro pensar assim, a sensação é de calma e a vagina-flor se torna mesmo flor de maracujá recém florescida do pé do sítio de vovó.

Todos que sejam iguais a mim, deixem o cigarro de lado, aproveitem a argamassa imaginativa, lutem por sonhos, sigam com o mar, numa ciranda de roda, interligando ideias, entrelaçadas, bordadas, desimpedidas, aquareláveis para se amar. (Luís Marques).