quarta-feira, 18 de maio de 2016

Por que os homens também precisam do feminismo?



Descrição para cegos: foto mostra várias pessoas em um local
 ao ar livre, com os braços levantados e de punhos cerrados.

Por Vítor Nery

Miscigenado, efervescente e diverso, o Brasil carrega um legado de transgressão de normas e padrões de comportamento, impulsionando diversos movimentos sociais nos últimos anos. Proporcionalmente, no entanto, uma forte onda reacionária vem ameaçando as conquistas sociais das minorias. No tocante às questões de gênero, a reação vem, em grande parte, de homens desacreditados, afirmando que o feminismo prega uma suposta supremacia das mulheres. Contudo, o empoderamento feminino é, na verdade, a melhor solução para que todos sejamos tratados de forma igualitária – inclusive, os homens.

Apesar de nossos privilégios, como pessoas do sexo masculino, também somos afetados com o machismo - O que é ser homem, e o que se espera dele na sociedade? Em janeiro de 2015, um encontro realizado no Departamento de Ciências Sociais da Universidade do Chile teve como objetivo problematizar essas ideias. Na solenidade, o sociólogo Klaudio Duarte afirmou que, assim como as mulheres, os homens também aprendem a se portar como “machos” no decorrer da vida, reproduzindo o patriarcado através da heteronormatividade. Mas como isso ocorre?

Desde a infância, o machismo é encarado como uma "expressão da masculinidade". Certamente, todo homem já ouviu e/ou reproduziu algumas dessas frases quando criança: “Pare de chorar, seja homem!”; “Você bate feito mulherzinha.”; “Rosa é cor de veado.” Todas elas são citações onde o “papel masculino” está intimamente ligado a opressão de outros grupos considerados inferiores pelo patriarcado, como mulheres e homossexuais.

O “macho” aprende a ser agressivo, autoritário e a esconder seus sentimentos, o que reforça hábitos de violência e negligência séria com a própria saúde. Em 2014, o Brasil foi considerado em levantamento da ONU, o 8º país com maior número de suicídios no mundo, sendo 77,8% deles, cometidos por indivíduos do sexo masculino. Ademais, o homem é maioria no sistema carcerário e tem as menores expectativas de vida. O quanto os tabus vazios reforçam esses dados?

E sem falar nas contradições: o machismo menospreza a vaidade feminina para afirmar seu aspecto rústico, de virilidade. Isso já não é narcisista? O quão frágil e neurótica é essa masculinidade imposta?

A luta das mulheres por direitos iguais reforça que devemos questionar e refletir nossa condição, também. Que se todos formos livres para ser e se expressar, estaremos construindo uma sociedade mais compreensiva, flexível e respeitosa. O mais importante é que conceitos são mutáveis. E para efetivar mudanças, que continuemos a empreender lutas sociais e políticas. Esse é o poder do feminismo.

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