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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

CineFeminista debateu “Dandaras”

Descrição para cegos: cena do filme mostra uma das personagens entrevistadas, uma mulher idosa que veste roupas brancas tradicionais das religiões afro-brasileiras, incluindo turbante. Ela tem um olho levemente fechado. À sua direita aparece o título do filme e, sobre uma mesa, santos católicos e outros símbolos religiosos.

Por Felipe Lima

Na última sexta-feira (28), o CineFeminista exibiu o mini documentário Dandaras: A Força da Mulher Quilombola, de Ana Carolina Fernandes. A sessão aconteceu no Auditório do Laboratório de Estudos e Práticas Sociais da UFPB e foi promovida pelo Projeto de Extensão Feminismo, Formação Política e Movimento de Mulheres da Paraíba (GEPSS Feminista – UFPB).

sexta-feira, 7 de julho de 2017

V Colóquio de Gênero e Cidadania, com Terlúcia Silva

Descrição para cegos: foto de Terlúcia Silva sendo filmada durante o colóquio, vendo-se em primeiro plano a câmera, em cujo visor sua imagem aparece.
O feminismo negro e a violência contra a mulher negra foram os temas predominantes no V Colóquio de Gênero e Cidadania, que teve como convidada a professora e assistente social Terlúcia Maria da Silva, da Bamidelê - Organização de Mulheres Negras na Paraíba. Nossa convidada tem mestrado em Direitos Humanos pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Jurídicas da UFPB e se dedica a pesquisas sobre violência doméstica contra as mulheres e suas interfaces com o racismo. O colóquio, realizado no dia 10 de novembro de 2016, foi organizado por Laianna Janu, Laís Suassuna, Luan Alexandre e Vandicleydson Araújo para a disciplina Jornalismo, Cidadania e Direitos Humanos do Curso de Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba.

VEJA O COLÓQUIO NA ÍNTEGRA

1 – Feminismo negro
A professora define o feminismo negro e as suas demandas e destaca as personalidades que são referências no Brasil e no mundo.


segunda-feira, 27 de março de 2017

Feminismo negro lutou por afirmação política no 8 de Março

Descrição para cegos: foto de Terlúcia Silva segurando uma faixa onde se vê escrito, em letras grandes: "Parem de nos matar!", Em seguida, em letras menores e entre parênteses, lê-se "Paraíba em marcha". Ela está de pé, no espaço do Ponto de Cem Réis, vendo-se, ao fundo, integrantes da marcha do 8 de março portando faixas e cartazes.

Os movimentos feministas negros de João Pessoa reforçaram a resistência em torno da figura da mulher negra nesse mês de março, o mês da mulher. Segundo Terlúcia Silva, coordenadora do Grupo Bamidelê, uma associação de mulheres negras na Paraíba, elas não têm o que comemorar. Apesar disso, Terlúcia reconhece a importância do mês para reafirmar a luta das mulheres negras frente à onda conservadora que acontece no Brasil. Ela esteve presente na mobilização do dia 8 de Março em João Pessoa, que se concentrou no Ponto de Cem Réis, no centro da capital.  Ouça a entrevista que fiz com Terlúcia para o programa Espaço Experimental, que vai ao ar todos os sábados, às 9 horas, na Rádio Tabajara AM (1.110 kHz) produzido pela Oficina de Radiojornalismo do Curso de Jornalismo da UFPB. (Vitor Feitosa)

sábado, 3 de dezembro de 2016

Michelle Obama: visibilidade da mulher negra


Descrição para cegos: retrato de Michelle Obama, sorrindo, enquanto discursa.

Luan Alexandre

        Michelle Obama, primeira-dama dos EUA, entrou para a história ao lado de seu marido por serem o primeiro casal negro predencial daquele país. Nunca vista apenas como “a esposa do presidente”, em todos os anos de governo de Barack Obama, ela atuou políticamente e serviu de voz para uma população ainda bastante marginalizada: a mulher negra.
        Ao vasculhar o passado de Michelle, percebe-se que ela tem um histórico de luta contra o racismo e o machismo. Além de ter parentesco com uma família que foi escravizada no século XIX, ela sofreu bastante pela sua cor na juventude. Era inferiorizada pelos professores que achavam que ela entrar na Universidade era “aspiração” demais, e, ao designada para compartilhar o quarto com uma menina branca, viu a mãe da colega exigir que a menina dividisse o quarto com outra pessoa, apenas pelo fato de Michelle ser negra.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Feminismo e interseccionalidade


Descrição para cegos: Imagem exibe um desenho de metade
 de um rosto de uma mulher de olhos fechados
 e com cabelo black power.
Por Vítor Nery

      Como causa social, o Feminismo se destrincha em várias vertentes, dentre elas as interseccionais. Kimberlé Crenshaw, estudiosa do assunto, definiu este conceito como “a visão de que as mulheres experimentam a opressão em configurações variadas e em diferentes graus de intensidade”.

Uma mulher branca, heterossexual e de classe média, por exemplo, sofre muito menos que uma negra e pobre, que, não bastasse o machismo, ainda lida com o preconceito de raça e classe social. A vertente interseccional que concilia a luta da mulher com a causa negra é o feminismo negro.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Sociedade capitalista, racismo e sexismo: a importância da autocrítica feminista

O texto a seguir promove o debate do feminismo além do gênero, levando-o às questões de raça, em que o feminismo negro é incorporado e tem papel primordial. A autora ainda critica algumas produções científicas acerca do tema gêneroe reforça a relevância para que elas sejam mais ativistas, o que seria uma forma de aproximá-las do dia a dia da mulher negra pobre, que compõe parte significativa do mercado trabalho, no qual o sistema é capitalista, sexista e racista.(Carolina Ferreira)

Divulgado pelo site Blogueiras Negras 
(http://blogueirasnegras.org/), em 16/06/2014.

Retrato de Angela Davis, em preto e branco, discursando em meio a um enrome público nas ruas.

Por  Marjorie Chaves


À medida que mais e mais mulheres adquiriram prestígio, fama ou dinheiro a partir de textos feministas ou de ganhos com o movimento feminista por igualdade no mercado de trabalho, o oportunismo individual prejudicou os apelos à luta coletiva.
bell hooks
Não há capitalismo sem racismo.
Malcolm X
Não há luta antirracista e antissexista fora da luta de classes. Pesquisas que sintetizam informações estatísticas desagregadas em gênero e raça como o Anuário das Mulheres Brasileiras (2011) evidenciam a situação de indigência e pobreza vivida por mulheres negras e a sua concentração em postos de trabalhado vulneráveis como o trabalho doméstico e o de cuidados em regiões metropolitanas e Distrito Federal. Os recentes estudos sobre relações de gênero no mundo do trabalho pouco têm avançado em considerar a questão racial como um dos principais elementos na distribuição de lugares e papéis sociais que constituem as desigualdades na sociedade capitalista.

Esse silenciamento pode ser explicado pela maneira como vêm se consolidando os estudos feministas e de gênero nas universidades brasileiras com produções teóricas cada vez mais sofisticadas e distanciadas da realidade de mulheres pobres e racializadas que compõem parte significativa da força de trabalho. Para bell hooks (1984), “tem sido mais fácil para as mulheres brancas que não vivenciam opressão de raça ou classe se concentrarem exclusivamente no gênero”.
Nas décadas de 1970 e 1980 feministas negras como Angela Davis, bell hooks e Lélia Gonzalez já apontavam que a luta antirracista é indissolúvel da luta de classes. A recusa de feministas em reconhecer outras experiências de mulheres (que não as brancas, universitárias e de classe média) suprimiu a conexão entre raça e classe, escamoteando a situação de privilégio de um seleto grupo de mulheres forjado pelo discurso da “opressão comum”.
Nancy Fraser (2009) lembra o quanto o feminismo prosperou no momento da ascensão do neoliberalismo em que as reivindicações por justiça foram substituídas em função do reconhecimento da identidade e da diferença, reprimindo a memória de um igualitarismo social. A promessa emancipatória do feminismo, aos poucos deu lugar aos interesses individuais de mulheres privilegiadas que almejavam a igualdade com os homens de sua classe. As lutas feministas foram facilmente cooptadas pelo pensamento burguês à medida que mulheres brancas foram beneficiadas pelo movimento.
O capitalismo não cria desigualdades raciais e de gênero, ele as apropria. O racismo e o sexismo operam de modo a criar disputas dentro da própria classe trabalhadora gerando privilégios na competição por ocupações do mercado de trabalho. A divisão sexual do trabalho (HIRATA; KERGOAT, 2007) em que há, supostamente, trabalhos de mulheres e trabalhos de homens, sendo os desses últimos mais valorizados, não funciona da mesma maneira para todas as mulheres. A experiência de mulheres negras na diáspora é a experiência do trabalho, sempre estivemos nas ruas oferecendo todo tipo de serviço.
Cada vez que mais e mais mulheres passaram a ocupar o mercado de trabalho, foi preciso que outras assegurassem seu trabalho doméstico criando uma subdivisão de classe no interior da divisão sexual do trabalho (ÁVILA, 2010). A delegação de tarefas, além de não proporcionar a divisão igualitária do trabalho reprodutivo entre homens e mulheres, perpetua as desigualdades entre mulheres, assim como as desigualdades raciais, já que são as mulheres negras que historicamente ocupam o lugar do trabalho doméstico remunerado.
Se a autocrítica faz parte da ação e da elaboração teórica dos feminismos, como alguém pode considerar a si mesmo como feminista sendo liberal e racista? Muitas organizações contemporâneas de mulheres negras sequer utilizam o termo “feminismo” para designar sua prática política. No entanto, o que costumamos nomear de prática feminista negra ou pensamento negro feminista é o conhecimento gerado a partir da própria experiência em resposta às opressões que interseccionam gênero, raça, classe e sexualidade (COLLINS, 2012), afirmando um posicionamento crítico ao feminismo hegemônico que pouco tem nos representado. É necessário refletir sobre qual emancipação queremos, pois as lutas antissexistas e antirracistas por si só não abalam as estruturas do capitalismo que, por seu oportunismo sistemático, apropria-se das desigualdades raciais e de gênero para acirrar a exploração econômica e fragmentar todas as formas de resistência.
Referências:
ÁVILA, Maria Betânia. Divisões e tensões em torno do tempo do trabalho doméstico no cotidiano. Revista do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero. Edição especial – Tema: Trabalho e Gênero. Brasília: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, 2010. p.67-76.
COLLINS, Patricia Hill. Rasgos distintivos del pensamiento feminista negro. In: JABARDO, Mercedes (Ed.). Feminismos negros: uma antología. España: Traficantes de Sueños, 2012. p. 99 a 134.
DIEESE. Anuário das mulheres brasileiras. São Paulo: DIEESE, 2011.
FRASER, Nancy. O feminismo, o capitalismo e a astúcia da história. Mediações. Londrina, v. 14, n. 2, p. 11-22, jul./dez. 2009.
HIRATA, Helena; KERGOAT, Danièle. Novas configurações da divisão sexual do trabalho. São Paulo, Cadernos de pesquisa, v. 37, n. 132, set.-dez. 2007, p. 595-609.

HOOKS, bell. Feminist Theory: from margin to center. Boston and Brooklyn: South End Press Classics, 1984.